GOT-Amazônia participa do projeto Forest Fisher a convite do Liop

Publicado em: 28/07/2022 12:33:01

O Laboratório de Ictiologia e Ordenamento Pesqueiro do Vale do Rio Madeira – LIOP convidou o GOT-Amazônia a compor a equipe do projeto Forest Fisher


O Laboratório de Ictiologia e Ordenamento Pesqueiro do Vale do Rio Madeira – LIOP, realizou no último dia 20 de julho, em Humaitá, Amazonas, o Primeiro Encontro de Diálogos e Narrativas da Pesca no Interflúvio Purus-Madeira, através do projeto Forest Fisher, para apresentação do projeto à comunidade.

Participaram do encontro a Dra. Carolina Rodrigues da Costa Doria - Professora e pesquisadora da Universidade Federal de Rondônia (UNIR); Dra. Madalena Cavalcante, professora da Universidade Federal de Rondônia (Unir) e Coordenadora do Grupo de Pesquisa em Geografia e Ordenamento de Território da Amazônia (GOT-Amazônia); Guillermo Estupinan da WCS Brasil; Noêmia Oliveira Santos da Secretaria de Educação do Município (SEMED) de Humaitá; Bosco Reis do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) de Humaitá e Raimundo Nonato, pescador da Comunidade Puruzinho; também participaram de forma online, Cíntia Portela do IBAMA; Tatiane Rodrigues Lima, Samuel dos Santos Nienow e Maria Luiza Appoloni Zambom do ICMBio. 

Para o coordenador do LIOP, Dr. Marcelo Rodrigues dos Anjos, é de fundamental importância a participação dos pescadores na pesquisa. Em comum objetivo com a Rede de Ciência Cidadania para Amazônia, parceira do projeto, o empoderamento de cientistas cidadãos para geração conhecimento sobre os peixes e ecossistemas aquáticos da Bacia Amazônica, compõem uma etapa essencial da proposta em andamento. De acordo com o coordenador é muito importante que haja esse diálogo entre os atores locais com os centros de pesquisa e órgão regulatórios, pois trata-se de um primeiro passo para a avaliação/criação de políticas públicas em torno da pesca.

 

“É fundamental a participação do pescador no desenvolvimento da pesquisa, porque ele deixa de ser um sujeito beneficiário e passa a protagonizar na coleta e interpretação dos dados. Inclusive a gente tem percebido que com a participação dos pescadores, é possível captar de maneira mais eficiência as mudanças no cenário do pescado na região”, ressalta o coordenador. 

 A doutora Maria Madalena, diretora de Pós-graduação da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) – que lidera um grupo de pesquisa em Geografia e Ordenamento do Território (GOT-Amazônia), também ressalta a relevância do projeto, especialmente, por trazer a interação entre a academia e comunidade de pescadores.
untitled image   “Esse projeto tem uma importância singular, porque ele envolve não só a academia, mas outras instituições parceiras; e o mais importante, ele envolve a comunidade de pescadores e integra os alunos. Então é um projeto de pesquisa importante que vai contribuir, não só na formação dos alunos, mas para o desenvolvimento da pesca na região, promovendo um diálogo integrado entre a Universidade e a comunidade. A Universidade Federal de Rondônia, como parceira, está à disposição para contribuir no que for necessário para o desenvolvimento desse projeto, sobre tudo na parte da cartografia envolvendo os pescadores”.
 Já para a doutora Carolina Dória, também, da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), coordenadora do Laboratório de Ictiologia e Pesca, que trabalha com o monitoramento da atividade pesqueira na bacia do médio Madeira e faz parte do projeto Forest Fisher, o evento traz uma proposta muito interessante para a comunidade de Humaitá, fundamental para a implementação do projeto Forest Fisher.
untitled image “A nossa proposta é discutir com eles o impacto do desmatamento, em especial, os “peixes frugívoros”, e depois tentar buscar alternativas de ordenamento para diminuir os impacto sobre o pescado e a pesca na região. É importante ressaltar o valor da parceria entre os pescadores comerciais, pescadores de subsistência e ribeirinhos e a participação deles no projeto, para que a gente consiga obter dados mais consistentes, mais robustos, para de fato, demonstrar o que vem acontecendo na pesca, tanto do Madeira quanto do Purus”, complementa a pesquisadora.
A participação dos pescadores no processo de coleta de dados é feita através do aplicativo para celular Ictio, desenvolvido pela WCS para o monitoramento da pesca na região, juntamente com o método de monitoramento TSBCAPA, desenvolvido pelo LIOP para o monitoramento da produção artesanal da pesca na região Amazônica. 
Nessa troca de experiência, pode-se observar que as mudanças na região são notórias. Guilhermo Estupinam da WCS Brasil, por exemplo, ressalta que com o passar dos anos foram necessárias medidas para proteger a atividade da pesca, principalmente por questões de conflito entre pescadores, além de outras ameaças que surgiram com a construção das hidrelétricas e outros empreendimentos, como a mineração, ações antrópicas que causam alterações em ambientes de suma importância para os peixes e seu ciclo de vida.

O pescador Raimundo Nonato, também concorda que as grandes construções causaram mudanças no ambiente, principalmente, com o controle da água feita pelas usinas, que interferem na produção do pescado na região. E hoje, diante de todas as mudanças, o pescador lembra das primeiras pesquisas realizadas na comunidade, e reconhece a importância dos resultados para a manutenção da pesca para a comunidade, e se diz feliz em poder ajudar.

“Quando os professores e alunos chegaram à comunidade e pediram amostra de terra, água e do pescado, a gente não fazia ideia do que se tratava; mas agora, sabendo que a pesquisa pode ajudar a melhorar a vida dos moradores, através de políticas públicas, estou feliz em participar da pesquisa”, afirma.

 

Esse é o primeiro encontro do projeto Forest Fisher realizado com os pescadores de Humaitá, mas logo será ampliado para o município de Lábrea, também no Amazonas.

O projeto Forest Fisher foi desenvolvido pelo LIOP, em parceria com instituições nacionais e internacionais, para realizar modelagens das áreas prioritárias identificadas para os anos vindouros, afim de garantir a sustentabilidade da pesca, e garantir os ciclos de renovação das florestas realizadas pelos peixes frugívoros na região estudada.

Fonte: LIOP